Não há dúvidas de que ‘Minecraft’ é um verdadeiro fenômeno mundial. É possível até mesmo não saber o nome do fenômeno, mas certamente todo mundo já viu por aí os desenhos quadrados de bichinhos e objetos que fazem parte do universo desse jogo que virou uma grande febre principalmente entre a garotada. Era questão de tempo até que a trama ganhasse uma versão audiovisual, e em grande estilo, claro. Assim, a partir de hoje os fãs de Minecraft poderão ver nos cinemas de todo o país ao primeiro longa baseado na história do game – a aventura ‘Um Filme Minecraft’.
Henry (Sebastian Hansen) e Natalie (Emma Myers) acabam de perder a mãe e, por conta disso, se mudam para uma pequena cidade do interior. Lá, tentam recomeçar suas vidas, mas o único amigo que Henry consegue fazer é Garrett, O Lixeiro (Jason Momoa), um ex-jogador de videogames que fizera sucesso no passado, mas que hoje é um adulto falido com uma loja de jogos às moscas na cidade. É nesta loja que Henry sem querer encontra uma orbe mágica que, após ativada, acaba levando aos dois (junto com Natalie e a agente imobiliária Dawn [Danielle Brooks]) para um mundo paralelo, mágico, todo feito de blocos. Lá, os quatro precisarão contar com a inesperada ajuda de Steve (Jack Black) para conseguir escapar da terrível Malgosha e, assim, voltar pra casa.
Considerando que o público do jogo tem uma faixa etária bem reduzida (ali na faixa dos 7 anos), a história que o filme apresenta é complexa e longa (uma hora e quarenta de duração, com dois pós-créditos). Os primeiros momentos dão a sensação de estar sempre começando o filme: primeiro, conhecemos Steve e como ele foi parar no outro mundo; depois, conhecemos Garrett e seu passado; por fim, iniciamos a trajetória de novo com os irmãos sendo apresentados ao espectador. Até que todos esses núcleos se conectem, já se passou bem uns vinte minutos de longa.
Visualmente, ‘Um Filme Minecraft’ entrega o universo tal qual os fãs veem no jogo, com direito a pequenos easter eggs e aparições especiais (como um certo porquinho de coroa). Neste quesito de produção e design gráfico, o filme acerta em deixar evidente os símbolos mais famosos do jogo, como os homens de nariz comprido, as abelhas quadradas e as ovelhas rosas. Para quem não conhece nada da trama, essas pequenas gentilezas do roteiro fazem a diferença para a compreensão da trama.
Por outro lado, é o roteiro que acaba desviando o filme de seu propósito. Com muitas sub tramas para serem apresentadas e resolvidas, o mundo de possibilidades de Minecraft acaba em segundo plano, de modo que o espectador tem que quase aceitar que aquele lugar é livre para imaginação e para criação, ainda que isso não fique evidente quando Steve ou Henry ficam jogando cubos aleatoriamente.

Outro ponto que destoa no roteiro é a recorrência de piadinhas de cunho sexual – ao menos na versão dublada, o que acaba confundindo sobre qual seria o público-alvo efetivo do filme, uma vez que a classificação é de 10 anos.
Ao menos, fica evidente, ao fim de ‘Um Filme Minecraft’, que este deve ser apenas o primeiro de uma franquia que deve ser longeva, o que faz deste um filme inicial para apresentar personagens e trama ao público geral. Nesse sentido, o filme entretém, deixando a promessa de nos próximos se aproximar com mais dedicação dos blocos que são literalmente a base do sucesso de Minecraft no mundo.
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